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América, Atlético, Cruzeiro, Olimpíadas, Paraolimpíadas e Dunga Como a Libertadores já acabou há milênios, nem faz muito sentido ainda falar sobre a vitória da LDU em mais um ‘Maracanazo’. Eu até tinha escrito um texto que ficou velho demais e acabou se perdendo nas mudanças de computador. Aproveito o espaço apenas para fazer comentários rápidos sobre Atlético, Cruzeiro, América, Olimpíadas, Paraolimpíadas e Dunga. Começando com os clubes. América-MG Este ano já foi ótimo para o Coelho. Conseguiu subir para a Primeira Divisão do Campeonato Mineiro, arrumou (muito) dinheiro do Governo Federal para modernizar o seu estádio e ainda entrou pela porta dos fundos na Série C, conseguindo a permanência para o próximo ano. Se existe frustração em parte da torcida que queria ver o time de volta à Série B, muitos acham que o clube ficou no lucro por não jogar a D em 2009. Estão certos. Porém, os ventos não estão a favor para o próximo ano, ao menos nas quatro linhas. Com a demissão do técnico Alemão e a contratação do ‘eterno’ Flávio Lopes, os ares de mesmice pairam novamente no CT Lana Drumond. Nada bom. Atlético Difícil falar algo sobre o centenário atleticano. Pior do que está, só se o clube fosse rebaixado para a Série B, o que eu não acredito, já que Náutico, Ipatinga, Atlético-PR, Portuguesa e Vasco estão fazendo mais "esforço" para cair do que o Galo. Porém, o ano absurdamente vergonhoso do time reflete a falta de planejamento da diretoria, que só pensou em festas e se esqueceu de montar um elenco razoavelmente competitivo. E ainda demitiram o Leão pra trazer Geninho, um técnico caro, fraco e de péssimo relacionamento com a Massa. Asseguro que este time, ao lado do de 1993, é o pior Atlético que já vi. A sorte dele é que o futebol brasileiro realmente anda muito mal. O campeonato nacional é péssimo, com jogos abaixo da crítica. Poucos bons jogadores e quase nenhum bom jogo. Lamentável. O Galo segue sendo goleado, com seu meio-campo que não marca ninguém, só cerca, e craques do passado, já acima dos 35 anos. Depender de jogadores com histórico de contusões, idade avançada, mas inegável talento, é muito ruim. É o mesmo caso do Vasco, com o Edmundo. No ano do centenário a torcida atleticana esperava mais que Petkovic e Marques. Estes poderiam até estar no elenco, mas nunca serem as maiores estrelas (ou únicas) dele. Se há algo positivo no 2008 alvinegro é a mobilização da Massa, cansada de ver o clube se apequenando e se contentando em apenas fugir do rebaixamento no certame nacional. Cruzeiro A torcida celeste pegou no pé do Adílson com razão. Ele andou acreditando demais em suas invenções por um tempo. Porém, é inquestionável o aproveitamento espetacular do treinador à frente do time. E agora ele está inventando bem menos. Ou seja, está mais do que na hora da China Azul vestir a camisa e ir ao estádio empurrar o Cruzeiro. A média de público azul ainda é muito pequena para um time que está brigando pela ponta. O Cruzeiro tem um bom elenco e ainda trouxe o ídolo Sorín, que será uma boa liderança para o jovem elenco. Não espero nada dele, contudo, dentro de campo. E tem um outro detalhe: a diretoria celeste não desfez o time este ano. Ramires segue no clube, assim como Wágner, Fábio e Guilherme, que formam, ao lado do Marquinhos Paraná, a base do time. Talvez falte aos jogadores acreditar de fato que eles podem levantar a taça, diminuindo, assim, as "amareladas" em momentos decisivos. Mas os horizontes seguem muito bons para a Raposa. Olimpíadas Absolutamente fantástico. O maior evento da Terra é sempre uma experiência única, insubstituível, fascinante e envolvente. De quatro em quatro anos, o mundo pára para ser "perfeito", cabendo inteirinho em um estádio. Em um "ninho de pássaro". Valeu a pena ficar madrugadas sem dormir, vendo de tudo um pouco, torcendo por muitos e assistindo a consagração de "novos deuses". Da água, Phelps. Da terra, Usain Bolt. Do ar, a divina Isinbayeva. Sobre a participação brasileira, é sempre bom lembrar que não somos potência olímpica. Porém, gastamos muito mais agora com esportes. Quase nada com psicólogos. As federações são antros de ladroagens e Carlos Arthur Nuzman, que um dia mudou a história do vôlei brasileiro, apresenta-se como um "Poderoso Chefão" pior que o do cinema. Sim, porque ele rouba do governo pedindo por mais. E recebe. Fora, Nuzman! Por fim, o Brasil é o país do vôlei e do futebol e possui atletas talentosos em outras modalidades. Fenômenos. Mas é claro que vendo Maurren, Cielo e outros, o sonho de um dia vermos o hino nacional ser decorado por todas as demais nações fica muito vivo. Então, cobremos uma política voltada ao esporte, como algo fundamental na vida das pessoas. Diariamente. Não apenas de quatro em quatro anos e, no meio tempo, apenas falando de futebol. Paraolimpíadas O Brasil segue, como previsto, muito bem nas Paraolimpíadas, que são sempre muito comoventes. E fica aquele sentimento de vergonha por conhecer tanta gente saudável e sem problemas motores que não pratica esporte por preguiça. Dunga Além da CBF ter conseguido distanciar completamente a seleção brasileira de futebol do povo, ela ainda teve a capacidade de, contra tudo e todos, bancar o nome de Dunga no scratch brasileiro até hoje. Chega, né? Já foi o suficiente. Conseguiram até amansar o capitão do tetra, tornando-o um mero empregadinho de Ricardo Teixeira. Cordeirinho. Depois falavam de seitas que faziam lavagem cerebral nas pessoas nos anos 70.... 70?
Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 15h56
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“Vence o Fluminense com o sangue de encarnado, com amor e com vigor” Vence o Fluminense Valeu a pena esperar tanto tempo pelo retorno à Libertadores. Passar por Atlético Nacional, São Paulo e Boca Juniors é deixar para trás 10 títulos da maior competição do continente. Claro que não é para qualquer um. Ter partidas épicas contra tricolores paulistas e xeneizes é ainda mais exclusivo. A campanha do Fluminense já é, obviamente, histórica, mas falta a cereja do bolo. A LDU de Quito também eliminou peixes grandes. O tri-campeão Estudiantes, de Verón, o centenário San Lorenzo, de D´Alessandro e o grande América do México, de Cabañas. O esquema de jogo que varia quando a equipe joga fora de casa contribuiu muito para isso. A LDU joga em algo parecido com um 4-3-3-1, congestionando o meio-campo e saindo rápido para os contra-ataques. Em casa, o time equatoriano, bem entrosado, joga de forma mais agressiva, partindo para o ataque e se beneficando da altitude da cidade. É um adversário que merece muito respeito. O Fluminense vem embalado, contando com muitos talentos. Fernando Henrique está numa fase sensacional na Libertadores. Thiago Silva e Luiz Alberto fazem uma dupla excelente na zaga, e Junior Cesar é um lateral acima da média. Gabriel ataca bem, mas é um jogador que oscila demais. No meio, o talento do Flu sobressai, com os volantes Arouca e Ygor e os meias Thiago Neves e Conca. Cícero, com sua versatilidade e bom cabeceio, tem sido muito importante. Na frente, Washington é o centroavante dos sonhos de qualquer time. Raçudo, chuta bem, cabeceia bem e jamais amarela nas horas decisivas. E ainda tem gente que discute quem é melhor, ele ou Dodô. O rodado atacante é um reserva de luxo, porque, inegavelmente, tem muito talento. Mas é um jogador displicente, desconcentrado e, por tudo isso, irritante. Ainda bem que Renato Gaúcho, que tem a raça no sangue quente de sua fria terra, sabe disso e privilegia o Coração de Leão. Final é um jogo diferente, mágico mesmo quando é feio. O campeão será inédito. A decisão, histórica. A paz, a esperança e o vigor unidos e fortes pelo esporte mais uma vez. Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 17h04
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Libertadores: restam 4 No mesmo dia da decisão cardíaca entre Chelsea e Manchester, que, ainda bem, premiou o United, a Libertadores mostrou porque é um torneio diferenciado. Fluminense e São Paulo fizeram um jogo histórico, inesquecível e espetacular. O palco não poderia ser mais adequado: o Maracanã lotado. Um jogo cheio de alternativas, heróis e generais. Óbvio que não vou ficar falando como foi o jogo após tantos dias, mas ele evidenciou tudo que faz do futebol o jogo mais imprevisível e sensacional. Parabéns ao Fluminense, que faz, pela primeira vez, uma boa campanha continental. Sempre falam que o Flu não tem tradição no continente, mas se esquecem de alguns detalhes: o Flamengo quando venceu em 1981 fazia a sua PRIMEIRA participação na Libertadores. O mesmo vale para o Grêmio, em 1983 ou para o Argentinos Juniors, em 1985, e o absurdo Once Caldas. Todos campeões. Outros tantos fizeram boas campanhas sem antes ter tradição continental. O Huracán, por exemplo, só jogou a Libertadores uma vez, em 1974, e foi até as semifinais. Se o time carioca ainda não tem tradição, é uma boa hora para trilhá-la. Afinal, de que valeu a tradição no São Paulo? O time do Morumbi, aliás, nunca empolgou ninguém nessa edição, dependendo demais do decisivo Adriano. Muricy deve rever rapidamente seus conceitos, se ficar no comando do time. O Santos perdeu para o juiz, para as suas limitações e para o América do México. O time de Cabañas, atacante que não passou a jogar bem só agora, como dá a entender parte da mídia esportiva limitada brasileira, melhorou muito desde a vitória sobre o Flamengo, quando já contava com novo treinador no banco. Não se pode mais menosprezar o América. E o mesmo vale para a LDU. O time equatoriano é muito mais que a altitude de Quito e uma defesa sólida. A equipe sabe jogar fora e o faz de maneira mais ofensiva em casa. Fará um duelo equilibrado com o América, no qual ambos perderão a arma do alto do morro. Os equatorianos eliminaram nas quartas o centenário San Lorenzo, que, mais uma vez, adiou o sonho de ser o maior da América. A verdade é que o time argentino abusou demais da sorte, sempre jogando no limite da superação. Vejamos: na primeira fase perdeu na estréia para o Caracas, com jogador a menos. Empatou com o Cruzeiro em casa e, na seqüência, teve que virar um jogo perdido contra o Real Potosí nas nuvens bolivianas. Depois ganhou dos andinos em casa, pela contagem mínima, perderam pro Cruzeiro e, finalmente, convenceram ganhando do Caracas. Nas oitavas, fizeram dois clássicos sensacionais contra o River, vencendo em casa e empatando em Nuñes, com dois jogadores a menos, após estar perdendo por 2 a 0. Por fim, no duelo contra a LDU Quito, empatou em Buenos Aires por 1 a 1, após lance bizarro do seu goleiro e obteve o mesmo placar jogando na altitude equatoriana, com um jogador a menos e outro frango. Ou seja, os Corvos não tiveram jogos normais. Aí é abusar da sorte e contar demais com os santos. É isso. Restam quatro. O último classificado, que enfrenta o Fluminense, é o grande favorito Boca Juniors. Mesmo jogando mal no estádio do Velez, os Xeneizes mostraram toda a sua classe no Jalisco, contra o bom time do Atlas, que ficou atônito diante do início de partida do Boca, com o seu trio Riquelme-Palácio-Palermo. Um distribui as jogadas. O outro abre espaços na zaga adversária. E o último finaliza. O Boca segue sem a La Bombonera para o confronto contra os cariocas e vai jogar no estádio Juan Perón, do Racing, em Avellaneda. Avellaneda, aliás, é bem próxima do bairro de La Boca e é o lar de oito títulos da Libertadores. Quem vai parar o Boca? "Vamos, Fluzão"? Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 17h48
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A Lei Áurea e o futebol Por ROBERTO VIEIRA Há 120 anos era assinada a Lei Áurea pela Princesa Isabel. Uma lei com apenas dois artigos: Art. 1º - É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil. Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário. Simples na escrita. Profunda nos seus designios. Motivo de festa nas ruas do país. Princípio da República. Por caminhos tortos, a Lei Áurea foi muito mais importante para o futebol brasileiro que a Lei Pelé. Quase 60 anos depois era lançado um clássico da literatura brasileira. O livro 'O Negro no Futebol Brasileiro' de Mario Filho. Pois o Brasil sem o negro seria um país de futebol nenhum. Um saco de pancada dos argentinos. Mas a chegada dos antigos escravos no futebol foi lenta. Porque a abolição da escravatura no Brasil foi mais verbo que ação. Os amigos de Charles Miller jogavam bola nos gramados bem cuidados dos clubes ingleses. Os negros imitavam seus trejeitos nos campos de terra batida. Descalços e incultos. Criativos. As portas dos clubes e das salas grã-finas eram fechadas aos negros. Até que os negros começaram a fazer gols. E o gol subverteu a história do Brasil. Abriu portas. El Tigre. Olhos claros, tez indefinida, futebol de gênio. Como a sociedade escravagista poderia resistir aos dez mil gols de Fried? Como se até o Champs-Élysées beijava seus pés? Como se ali do lado os uruguaios veneravam Jose Leandro Andrade? Enquanto nossos jornais insistiam em chamar os jogadores negros de colored, hábito que persistiu até os anos 60, surgiu Fausto. E depois de Fausto, Domingos da Guia. E depois de Domingos da Guia, Leônidas. Leônidas que subverteu as leis da física com suas bicicletas tal qual Einstein. O Brasil descobriu Zizinho. Ou será que foi Zizinho quem descobriu o Brasil? Os mestres do apocalipse colonial porém insistiam: 'Temos talento mas não temos nervos. O negro é frágil, doentio, sifilítico...' Como se as doenças da pobreza fossem causa e não consequência do Jeca Tatu. Quando fomos derrotados em 50, um culpado: Moacir Barbosa! Crime: Ser negro. E baniram-se os negros da camisa número 1 da seleção brasileira. Da camisa número 1. Porque das demais camisas era tarde demais. Ou não? Publicou-se um relatório nos corredores do futebol antes de 1958. 'Com os negros não ganharemos uma copa jamais!' Voltem as chibatas. Os navios negreiros. Restaure-se o pelourinho! Eis que uma criança apanha uma bola na coxa, dribla um bretão e encaçapa uma bola nas redes com a sem cerimônia de um rei africano. Silêncio. A imagem daquele rapazola franzino sendo carregado em triunfo na Suécia era um paradoxo. Um cataclisma. A liberdade oferecida no bico de pena era agora conquistada na ponta da chuteira. O Brasil se descobria Brasil nos pés e na arte de um neto de escravos. Pois, que importa do nauta o berço? O gol não tem certidão de batismo, árvore genealógica, nome e sobrenome feudal. O Brasil começou a ser Brasil 120 anos atrás. Num dia de domingo. 13 de maio. No mesmo horário de um Fla-Flu, de um Palmeiras x Corinthians, de um Clássico das Emoções. De um Ba-Vi. Há 120 anos era assinada a Lei Áurea pela Princesa Isabel. Uma lei com apenas dois artigos... Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 11h36
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Libertadores: restam 8 Não tive tempo para escrever sobre a pré-temporada brasileira de luxo, que consiste nos Campeonatos Estaduais. Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Sport, Vitória, Internacional, Coritiba e Figueirense saíram na frente nos principais torneios regionais do país. Na principal competição do ano nas Américas, as oitavas-de-final da Libertadores trouxeram grandes surpresas. No principal confronto, que reuniu 8 títulos e o maior campeão do século XXI, o Boca superou o Cruzeiro com um duplo 2 a 1. O time xeneize voltou a mostrar que sabe decidir com uma calma assustadora! E jogadores experientes de muita qualidade. Favoritíssimo ao título mais uma vez, pois tem um time melhor que o do ano passado. O Cruzeiro fez um bom papel no torneio, sobretudo se levarmos em conta a idade do elenco. Se a Raposa soubesse manter times, esse seria um forte candidato ao título do ano que vem. O técnico Adilson Batista, apesar das críticas da torcida, acabou acertando na maioria de suas invenções. Poderia, contudo, apostar menos nelas. O Boca enfrenta agora o Atlas, que bateu o atual campeão argentino, o pequeno Lanús, com dificuldade. Apesar de ganhar por 1 a 0 na Argentina, o time de Guadalajara suou muito em casa para empatar por 2 a 2 e garantir a vaga. Na primeira fase, o Atlas perdeu na La Bombonera por 3 a 0 e ganhou no Jalisco por 3 a 1. O Flamengo protagonizou uma vergonha sem igual ao perder por 3 a 0 para o América do México, após ganhar por 4 a 2 no Azteca. Absurdo. Para mim, fruto de um oba-oba típico do Rio de Janeiro. Mas o América não é o Olaria e a Libertadores não é o Campeonato Carioca. Festa, só depois de jogo. Mesmo estando na Cidade Maravilhosa. Os mexicanos enfrentam agora um Santos forte, que bateu duas vezes o bom time do Cúcuta. O time da baixada sempre foi apontado como o pior dos cinco brasileiros na Libertadores. Todo mundo se esqueceu, no entanto, que no banco o Peixe conta com Emerson Leão, técnico chato, arrogante, grosso, porém muito competente. Poucos sabem tirar leite de pedra como Leão faz. O São Paulo finalmente jogou melhor no Morumbi e tirou o Nacional da Libertadores. Adriano voltou a ser decisivo para o tricolor e os uruguaios agora não têm mais candidatos ao título. Teremos um confronto brasileiro na próxima fase, já que o time paulista enfrenta o Fluminense, que venceu as duas partidas contra o Atlético Nacional de Medelín. O time carioca não vem jogando bem, mas concordo com o Renato Gaúcho sobre a máxima do resultado na Libertadores. Dar espetáculo é sempre bom, mas na fase de mata-mata do torneio, vencer é o fundamental. A torcida pó-de-arroz fez muito feio ao vaiar o time no jogo de volta contra os colombianos. A química entre arquibancada e gramado jamais pode ser quebrada na Libertadores. Times medíocres ganham o torneio com isso e grandes esquadrões fracassam. O Estudiantes deu adeus ao sonho do tetra, ao cair diante da LDU. Dois bons times candidatos ao título em campo. Confronto equilibrado e emocionante. Ninguém destaca, mas a LDU é sim uma das favoritas a levantar o caneco mais bonito do mundo. No clássico de Buenos Aires, o San Lorenzo operou um milagre no Monumental e tirou o River Plate. O time de Almagro venceu em casa, em um jogasso, por 2 a 1, e conseguiu empatar em Nuñes, após estar perdendo por 2 a 0 e com dois jogadores a menos. Espetacular e típico da Libertadores, prova incontestável da alma que o torneio possui. Os dois portenhos, tradicionais "amarelões" na Libertadores, fizeram os melhores jogos das oitavas. O centenário San Lorenzo mantém vivo, e mais forte que nunca, o sonho de ser o maior da América pela primeira vez. Será que os corvos vão voar tão alto assim? Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 11h34
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Quem será o Libertador? Quem me conhece sabe que o meu torneio de futebol preferido é a Libertadores da América. Gosto mais do principal campeonato do continente americano que da Liga dos Campeões. Óbvio que não sou cego. Os jogos entre os grandes da Europa são melhores e mais técnicos que os da Libertadores e eu tento assistir a todos. Mas o torneio das Américas tem mais alma. Isso é inegável. A Libertadores tem uma aura diferente, que sintetiza toda a diversidade e espírito aguerrido de diversos povos, que sofrem, sofreram e certamente sofrerão nas mãos de tiranos, conglomerados econômicos e monarquias colonialistas. O futebol só espelha todos os sentimentos dos povos americanos. Na Liga dos Campeões, seus clubes internacionalizados, frutos da Globalização, fazem hoje as inúmeras fronteiras do continente desaparecem nas quatro linhas. A Inter de Milão, por exemplo, chegou a fazer várias partidas esse ano sem nenhum jogador italiano no time titular. Voltando à Libertadores, os confrontos das oitavas-de-final estão definidos, para azar de alguns e sorte de outros. A princípio, os que mais chamam a atenção são Cruzeiro vs Boca Junior, Flamengo vs América e San Lorenzo vs River Plate. O Cruzeiro deu muito azar. Fez uma ótima primeira fase, se descontada a goleada sofrida para o Potosí nas nuvens bolivianas. O Boca, ao contrário, oscilou na fase de grupos. Ganhou todas as partidas na ‘La Bombonera’, mas fora de casa apenas empatou com o Maracaibo na estréia e perdeu para Atlas e Colo Colo. Contou com a sua velha sorte de campeão para sair com a classificação, já que precisava golear o Maracaibo por 5 a 0 em casa na última rodada para não depender de ninguém e ganhou "apenas" de três. O Colo Colo, um rival histórico, bobeou e empatou com o Atlas em Santiago, garantindo a classificação boquense. O problema é que o Boca jogou boa parte da primeira fase desfalcado, incluindo dois jogos sem Riquelme. Agora está com a sua força máxima de volta e o elenco é muito forte, chegando ao luxo de contar com Gracián no banco. E, além do mais, o Cruzeiro não costuma dar sorte com o Boca em decisões. Perdeu as finais da Libertadores para os ‘bosteros’ em 1977 e da Supercopa, em 1989. Mas decide em casa. Se conseguir segurar um resultado mediano em Buenos Aires, pode levar, pois se o ataque do Boca mete medo nos adversários, a defesa vem provocando risadas, com falhas absurdas e buracos imensos. Oito títulos da Libertadores em campo. Um super confronto! O Flamengo é outro que se deu mal. O América do México vive uma péssima fase, mas tem uma camisa de muita tradição, uma torcida super numerosa e a distância da Cidade do México ao seu favor. O Flamengo não fez boas partidas pela Libertadores, com exceção da disputada contra o Cienciano, em Cuzco. E agora ainda vai se despedir de Papai Joel. São duas nações no confronto. Duas das maiores torcidas do mundo. Imperdível. San Lorenzo e River Plate fazem um confronto de gigantes em Buenos Aires. Uma rivalidade histórica entre dois dos considerados grandes do país. Antigamente se dizia em Buenos Aires que a cidade tinha seis grandes: Boca, River, Independiente, Racing, San Lorenzo e Huracán. Este caiu muito, ficou oito anos na segunda divisão e, apesar dos seus torcedores não admitirem, perdeu o posto de grande. O que deixa o San Lorenzo numa situação desconfortável. Afinal, ele é o único dos grandes que nunca venceu uma Libertadores e já teve que assistir três ‘pequenos’ vencendo o torneio: Estudiantes, Velez e Argentinos Juniors. E este é o ano do centenário do Ciclón, que investiu muito pra quebrar essa escrita. O River é o time argentino com o maior número de participações na Libertadores e "só" venceu duas vezes. O time é considerado bem "amarelão" no torneio continental por isso. E seus dois títulos foram justamente contra outro com a mesma tradição de amarelar: o eterno vice do continente, América de Cali. Será um grande clássico! O Fluminense, dono da melhor campanha da primeira fase, enfrenta o Atlético Nacional de Medelín, que tem mais tradição que o tricolor das Laranjeiras na Libertadores, um título conquistado, mas conta com um time bem mais fraco. O Estudiantes pega a LDU, num confronto equilibrado. Mas o time de La Plata tem Verón, jogando por amor à camisa que seu pai envergou com brio. E Verón é craque. O São Paulo, dono de campanha pífia, enfrenta o Nacional. Ambos são tricolores, tri da Libertadores e Mundiais. O time uruguaio não é mais aquele, claro, mas fez mais pontos que o time paulista na primeira fase. Aposto nos uruguaios. O Atlas encara os atuais campeões argentinos da região metropolitana de Buenos Aires: o Lanus. Confronto sem nenhuma tradição continental de dois times que foram bem na primeira fase. O Lanus segue invicto. O time mexicano foi o primeiro num grupo que tinha Boca e Colo Colo. Por fim, o Santos encara o Cúcuta, sem vantagem. Único confronto repetido da primeira fase, quando o Peixe teve muita dificuldade com os colombianos, que buscam repetir a boa campanha do ano passado. É isso. Restam 16. E quem será o Libertador da América? Por Romero Carvalho
Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 11h33
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Belo Horizonte sem estádios O primeiro grande estádio de BH foi construído para a Copa de 1950 e recebeu a maior zebra da história dos Mundiais: a derrota da seleção inglesa, estreante em Copas, para os EUA. Feito às pressas, o Estádio Raimundo Sampaio, popularmente conhecido como Independência, foi o principal palco do futebol na capital mineira até 1965, quando foi inaugurado o Mineirão. O estádio passou a ser do Sete de Setembro, clube de futebol extinto no final da década de 1980. Desde essa data, o Independência foi arrendado pelo América. Hoje, o cinqüentenário palco de grandes jogos, assim como o clube que o administra, está esquecido e mal-cuidado. O gramado está ruim, os banheiros estão em situação precária, assim como os vestiários e bancos de reservas. A arquibancada não oferece nenhum conforto e até mesmo as cadeiras, região teoricamente nobre do estádio, carecem de muita reforma. Soma-se a tudo isso a truculência da Polícia nas ruas estreitas do bairro Horto. Para a imprensa a situação é, também, absurda. Cabines de rádio sem porta, com acesso quase livre dos torcedores, bancadas de madeira velhas e falta total de infra-estrutura básica. Tudo isso verificado no jogo de domingo, entre Atlético e Guarani! Chocante. Não sei se Atlético e Cruzeiro se deram conta, mas o Mineirão ficará fechado, sendo reformado para a Copa do Mundo, por três anos! E a reforma começa em 2009! Será que eles não se lembram como foi ruim para Flamengo, Fluminense e Botafogo ficarem sem o Maracanã, muitas vezes tirando do público carioca a oportunidade de verem seus clubes de perto? Ou querem apostar na promessa do América de reformar o Independência em breve? Dizem que há uma verba pública, federal, estadual e municipal, destinada à reforma. Tendo em vista a nenhuma preocupação que demonstraram os irmãos Perrella e Ziza Valadares até agora com o fechamento do Mineirão e o estado lastimável do Independência, quem sabe querem mesmo é ficar longe do torcedor da capital... Afinal, eles cobram, vaiam, pressionam técnicos, fazem coro... Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 01h29
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Doze clubes na disputa Mesmo para quem não gosta dos estaduais, a última rodada da primeira fase do Campeonato Mineiro promete ser bem interessante nas duas pontas da tabela. Pela liderança, Tupi e Cruzeiro se enfrentam em Juiz de Fora. O time celeste, embaladíssimo pela excelente vitória sobre o centenário San Lorenzo, tem 23 pontos, o ataque mais positivo da competição, com 20 gols marcados, e se garante na ponta com um empate. O que, provavelmente, o tiraria do Atlético nas semifinais. A campanha do Tupi, segundo lugar com 21 pontos, não chega a surpreender quem acompanha o investimento feito no maior clube de Juiz de Fora e da Zona da Mata desde o ano passado. Antigamente, o alvinegro juizdeforano disputava contra Sport e Tupynambás a supremacia na cidade, que, por sua proximidade geográfica com o Rio de Janeiro, sempre conservou ares da antiga capital brasileira, como a torcida por Flamengo, Botafogo, Vasco e Fluminense, além dos locais. No Campeonato Mineiro, foi sempre uma espécie de “estrangeiro” de potencial inexplorado. Somente agora voltou a incomodar os grandes de Belo Horizonte, mas ainda longe do sucesso dos históricos amistosos dos anos 60, quando venceu o Cruzeiro, de Tostão, Dirceu Lopes e Cia. em duas partidas, o América, do lendário técnico Yustrick e o Atlético no Mineirão. Prova disso é o retrospecto que o time tem contra o seu adversário de hoje, por exemplo: em 52 jogos, perdeu 33, empatou 14 e ganhou apenas cinco, sendo o último em 1987, por 2 a 1. O Atlético, que para terminar a fase em segundo lugar precisa vencer o Guarani de Divinópolis e torcer pelo menos por um empate no jogo dos líderes, joga em sua segunda casa, o Independência, palco da supremacia atleticana no Estado nos anos 50, já que o Mineirão recebeu um show de Axé. O Galo centenário, dono da melhor defesa do torneio, com apenas quatro gols sofridos, balançou as redes nove vezes nos últimos dois jogos. Foram três gols contra o Tupi, até então invicto, e seis contra o Rio Branco, que fazia boa campanha no Estadual. Já o Guarani, ainda com boas chances de classificação, precisa da vitória, torcendo por um tropeço do Ituiutaba, clube em notória ascensão no cenário estadual, que enfrenta o quase rebaixado Democrata de Sete Lagoas. O Ipatinga, maior decepção do ano em Minas, recebe o centenário Villa Nova, precisando da vitória para evitar o rebaixamento sem contar com a ajuda de ninguém. O jogo nem começou e já está muito tenso, com a acusação por parte do Villa de diversas manobras de bastidores vindas do Vale do Aço (http://www.villanovamg.com.br/villanews_detalhe.php?n=212). O Tigre, que se achou bem maior do é, com seu presidente, inclusive, zombando de América e Atlético em diversas ocasiões, tem apenas 9 pontos e o segundo pior ataque do Mineiro, com 10 gols, à frente apenas do Democrata de Governador Valadares. Se mantiver o pique, é candidatíssimo a fazer apenas um rápido estágio na elite do futebol brasileiro. O Villa, que investiu este ano acima dos seus padrões, precisa da vitória para tentar uma vaga na Série C. O Leão apostou em jogadores rodados, como os meias Tucho e Márcio Guerreiro, para vencer um título que não leva desde 1951. Apostou errado. A rodada tem, ainda, o Social, ameaçado pelo rebaixamento, recebendo o Rio Branco, que briga pela Série C e tem chances remotas de classificação, e o Uberaba, tentando fugir da degola em casa, contra o Democrata de Governador Valadares. Doze clubes em uma fórmula simples de disputa, repetida desde 2004. Segredo do sucesso? Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 03h19
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Paixão centenária Abaixo, o texto que eu citei no post anterior sobre os 100 anos do Atlético Mineiro.
Em 25 de março de 1908, vinte e dois estudantes se reuniram no Coreto do Parque Municipal de Belo Horizonte para criar uma paixão de milhões. A cidade, recém-nascida, talvez não soubesse que seu novo filho preto e branco cresceria tanto e se tornaria um dos clubes de futebol mais amados do país. Quem quer conhecer o Clube Atlético Mineiro, fundado como Athlético Mineiro Football Club, não deve procurar apenas na Sala de Troféus da sede de Lourdes, livros, arquivos de TV ou enciclopédias do esporte. Para se saber mais sobre ele é necessário visitar um bar, uma loja, uma casa ou qualquer outro lugar que tenha um atleticano. O Atlético Mineiro é o seu povo que o tem como uma filosofia máxima. E esse povo o faz maior que qualquer grande conquista. Elas existem. Como o aclamado pioneirismo do clube. Primeiro Campeão da Cidade, em 1914, primeiro Campeão Mineiro, em 1915, primeiro clube de Minas Gerais a ter um jogador convocado para Seleção Brasileira - Mário de Castro, em 1929, que, no entanto recusou o convite. O Atlético se sagrou, também, Campeão dos Campeões, torneio oficial, realizado em 1937, que reunia, ainda, os vencedores dos Campeonatos Estaduais de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Foi o primeiro clube brasileiro a excursionar na Europa pós-guerra, jogando na neve alemã, austríaca, belga, luxemburguesa e francesa, feito que inspirou a imprensa da época a qualificar o Atlético como “Campeão do Gelo”, conquista simbólica imortalizada na letra do hino do clube, composto por Vicente Motta. Primeiro Campeão Brasileiro, em 1971, e da Copa Conmebol, em 1992. Hexacampeão Mineiro, entre 1978 e 1983, maior seqüência de títulos na era profissional do futebol do Estado, sempre embalados pelo hino, um dos mais cantados e bonitos do país, e por “Vou Festejar”, samba imortalizado por Beth Carvalho. Tudo isso, é claro, engrandece o sonho dos 22 estudantes de 1908, assim como os grandes jogadores que vestiram a camisa do clube, os jogos memoráveis, viradas, clássicos inesquecíveis e outros feitos de quem luta “com muita raça e amor”. Mas, ainda assim, o que faz do Atlético, Galo desde 1945, realmente grande é o seu povo que jamais fraqueja, mesmo em momentos complicados. Muitas vezes, o Galo parece uma paixão inabalável à procura de um time. Quem visita Belo Horizonte, cidade que se agigantou junto ao clube, percebe rapidamente que o Atlético está nas ruas, praças, prédios, escolas, mesas de café da manhã, quartos de bebês e sonhos infantis. Percebe que o atleticano tem no preto e no branco uma relação de amor e ódio, alegria e tristeza, alívio e sofrimento. Nada no meio do caminho. Não tem tons de cinza. Não tem simpatia pelo clube. Tem, sim, uma fé cega, apaixonada, digna dos fanáticos religiosos, que fazia o jornalista e escritor Roberto Drummond se indagar: “que mistério tem o Atlético que às vezes parece que ele é gente?”. E depois enaltecer esse sentimento com uma frase que se tornou o símbolo da massa alvinegra: “se houver uma camisa branca e preta pendurada num varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento”. Quer conhecer o Atlético? Quer saber porque ele existe há 100 anos? Quer entender porque ele é querido por tantos, mesmo há 37 anos sem um título nacional, perdendo decisões imperdíveis e inúmeras semifinais? Quer? Conheça um atleticano. Verá que nestes 100 anos podem faltar títulos. Pode ter faltado técnica, raça, sorte, competência administrativa, visão empresarial e dinheiro. Mas nunca faltou paixão. “Brasil, capital Brasília. Minas Gerais, capital Atlético Mineiro. – Armando Nogueira” Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 03h18
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San Lorenzo centenário 1908 foi um ano realmente interessante para o futebol mundial. Em Minas, nasceram Atlético e Villa. Na Argentina, os eternos rivais San Lorenzo e Huracán. Na Itália, a lendária Inter. Eu vou postar em breve um pequeno texto que fiz sobre o centenário do Galo. Posto agora um de autoria de Eduardo Bejuk, do diário argentino "Olé", sobre o centenário do Ciclón, adversário do Cruzeiro na próxima quinta-feira. Muito bonito! No somos los más poderosos, ni queremos serlo (porque nuestra raíz está en el pueblo y ahí el poder se concibe de otra forma). Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 17h16
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O Superclássico de Minas A maior rivalidade do futebol mineiro não é denominada por siglas, abreviações ou qualquer coisa do gênero. É apenas Atlético e Cruzeiro, para os atleticanos, e Cruzeiro e Atlético, para os cruzeirenses. Nem “Galo vs Raposa”. A expressão “O Clássico das Multidões” se referia ao jogo entre Atlético e América, por isso nunca funcionou para o embate desse próximo domingo. E, obviamente, há muito tempo deixou de ser usada para o antigo maior confronto do Estado. A rivalidade começou em 1921. Enciclopédias do Galo definem como o primeiro encontro um jogo pelo campeonato da cidade, realizado no dia 15 de maio daquele ano e vencido pelo Atlético por 2 x 1. Já os cruzeirenses levantam a poeira de um amistoso jogado no dia 17 de abril de 1921, com triunfo dos então palestrinos por 3 x 0. Mesmo demorando décadas para se tornar um dos maiores clássicos do país, já nasceu polêmico. Em 2008, após disputas espetaculares em 2007, os rivais chegam em situações bem diferentes para seu primeiro confronto. O Cruzeiro joga um futebol convincente, rápido, insinuante, cheio de gols e com uma defesa muito mais consistente que a do ano passado. Destaque para os “alas-volantes” Charles e Ramires, além do técnico Adílson Batista, a melhor surpresa do futebol mineiro este ano. Já o Galo, mesmo com a torcida empolgada pelo centenário, não deslancha. A diretoria prometeu grandes reforços, mas só trouxe mesmo o maior ídolo da torcida alvinegra dos últimos anos: Marques, que, lesionado, não joga no domingo. Além disso, negociou a revelação Éder Luis e contratou uma das figuras mais controversas da história recente do clube, o técnico Geninho. Sua conturbada saída em 2003 não deixou nenhuma marca de amizade entre ele e a torcida. Abusando do eufemismo. Enquanto o time celeste, invicto, já foi testado até em Buenos Aires, o Galo ainda não encarou ninguém realmente relevante este ano. A lógica seria apontar facilmente o Cruzeiro como o grande favorito. Mas esse é um jogo que não respeita muito esse tipo de coisa. Desde 15 de maio ou 17 de abril de 1921. Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 12h49
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"Única unanimidade do futebol: todos o odeiam" “O árbitro é arbitrário por definição. Esse é o abominável tirano que exerce sua ditadura sem oposição possível e o verdugo afetado que exerce seu poder absoluto com gestos de ópera. Apito na boca, o árbitro sopra os ventos da fatalidade do destino (...)” Dessa maneira genial, o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano, em seu livro “Futebol ao Sol e à Sombra”, começa a descrever a figura mais controversa do esporte mais popular do mundo. Se não houvesse o árbitro, talvez o futebol renderia muito menos assunto e já teria se tornado algo absolutamente pragmático, exato e, possivelmente, chato. Mas, como diz o escritor no mesmo texto, “os derrotados perdem por causa dele e os vitoriosos ganham apesar dele. Álibi de todos os erros, explicação para todas as desgraças, as torcidas teriam que inventá-lo se ele não existisse. Quanto mais o odeiam, mais precisam dele”. Uma vez, perguntei a um amigo, que há 15 anos foi árbitro, o que o motivou a escolher tal carreira ingrata. “Você tem uma visão do jogo que ninguém tem”, respondeu. Faz sentido. Cruzeirense apaixonado, teve que se contentar em voltar à arquibancada, de onde tantos insultos escutou, quando encerrou a carreira. O erro do árbitro faz parte do futebol. Infelizmente. Será assim até o dia em que a FIFA aceitar métodos eletrônicos ou a CBF profissionalizá-los devidamente. Talvez. Até lá, não adianta fazer teatro nos vestiários do Maracanã. Aliás, nem foi pra tanto. Nem foi pra nada. Tal atitude caberia muito bem à diretoria da Portuguesa, depois daquela atuação infeliz do Javier Castrilli contra o Corinthians, nas semifinais do Paulista de 1998. Lembram-se? Ou à diretoria do Atlético-MG, após os jogos contra o Flamengo, em 80, na decisão do Brasileiro, e, pior ainda, em 1981, na Libertadores. Aragão e Wright ainda são arquiinimigos do clube de Minas. O Cruzeiro também poderia lamentar a final do Brasileiro de 1974, quando perdeu para o Vasco, ajudado pelo Armando Marques, que não errava pela primeira vez em decisões. Santos, em 1995, Inter, em 2005, América-RJ, em 2006, Inglaterra, em 1986, Alemanha, em 1966... A lista seria sem fim. Nenhum desses times e seleções claramente prejudicados por arbitragens, algumas realmente suspeitas, fizeram o pequeno “circo” protagonizado pelos botafoguenses no vestiário. Talvez porque todos entenderam que, mesmo que desperte tanta paixão, o futebol ainda é só um esporte. Talvez a coisa mais importante entre aquelas que nenhuma importância têm. Ainda sim, só um esporte, em que deveria vencer o melhor. Mas ele se chama “futebol”. Ou porque perceberam que, querendo ou não, o árbitro e seus erros históricos são tão cruciais ao esporte quanto o centroavante matador. Isso, enquanto os métodos de escolha dos profissionais, treinamento e trabalho da arbitragem seguirem como são. Ou, simplesmente, porque não quiseram se dar ao ridículo. Continuo, portanto, dando voz ao belo texto de Eduardo Galeano, que afirma que o trabalho do árbitro consiste em se fazer odiar. “Única unanimidade do futebol: todos o odeiam. É vaiado sempre, jamais é aplaudido”. “Durante mais de um século, o árbitro vestiu-se de luto. Por quem? Por ele. Agora, disfarça com cores”. Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 12h54
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Clássico dos 200 anos Belo Horizonte tinha quase 11 anos. Um bebê recém-nascido se comparada a outras grandes cidades brasileiras, como Rio, São Paulo, Salvador e Porto Alegre. Criada para ser a capital de um Estado muito rico e poderoso, BH ainda era um contêiner a ser aberto. Nessa capital rural, ainda com poucos habitantes, com uma vocação moderna, mas moradores que envergavam a bandeira da “tradicional família mineira”, um grupo de estudantes, no coreto do Parque Municipal, fundaram uma paixão, manifestada por meio de um clube de futebol. Batizaram-na de Clube Atlético Mineiro. Curiosamente, pouco depois, os ingleses de uma mineradora estabelecida no pequeno município de Villa Nova de Lima, atual Nova Lima, fundaram o Villa Nova Atlético Clube. Amanhã os dois se enfrentam. Cem anos depois. Talvez seja a primeira vez na história do futebol. Rivais regionais, enfrentando-se no ano de seus centenários. O Atlético Mineiro foi mais bem-sucedido. Torcida imensa, espalhada pelo mundo, apaixonada. Maior vencedor do Campeonato Mineiro com 39 conquistas, o primeiro campeão brasileiro, bi-campeão da Copa Sul-americana, quando ela se chamava Conmebol, além de ser o clube que mais chegou entre os quatro primeiros colocados nos Campeonatos Brasileiros. Lar de craques internacionais, o Galo é, porém, azarado, já que poderia ter ganho muito mais. Mas seu povo resiste e levanta sua bandeira como uma filosofia máxima. Afinal, “onde houver uma camisa branca e preta pendurada num varal em meio a uma tempestade, o atleticano torce contra o vento”. E a massa gosta de tentar fazer o vento parar. O Villa Nova teve ainda menos sorte. Sua fama de aguerrido, de “Leão do Bonfim”, quarto maior vencedor do Campeonato Mineiro, que sempre amedrontou os grandes da capital, sobretudo em seu pequeno estádio, nunca ultrapassou as fronteiras do Estado. Por muitas vezes, aliás, esteve restrita à região metropolitana. Exceção, é verdade, para o ano de 1971, quando o Leão venceu a primeira Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Sua fanática torcida, orgulho da cidade de Nova Lima, porém, segue fiel. Superou quedas de divisão, perda de prestígio e décadas sem títulos. Caminhos distintos, paixões semelhantes. Atlético vs Villa é o clássico da raça. Para a histórica partida de amanhã, o palco, obviamente, deveria ser outro. O acanhado estádio Castor Cifuentes, o famoso “Alçapão do Bonfim” é antigo, ultrapassado, e hoje liberado apenas para 4,5 mil torcedores. O Mineirão era o lugar certo, que espelharia a grandeza desse confronto centenário. Lamentável. Mas não perco por nada!
Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 02h38
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Crônica Seria melhor sonhar com Deus A noite está linda. O Mineirão, lotado. O Atlético decide pela primeira vez em sua história uma Taça Libertadores da América. Se um adversário fosse escolhido a dedo, entre todos os times do continente, não seria outro: o Boca Juniors. O primeiro jogo, em La Bombonera, cardíaco, foi 2 a 2. O Atlético decide em casa e precisa apenas de um empate sem gols. A torcida explode quando o time entra em campo. Minha mãe sempre diz que não gosta quando o Galo não precisa vencer pra sair vitorioso. Ela tem razão. O Boca sai na frente logo aos cinco minutos de jogo, silenciando a massa. Precisamos empatar, mas os xeneizes estão muito melhor em campo, com a velha raça portenha. O tempo passa, passa, passa e já são 42 minutos do segundo tempo. O Galo até melhorou na etapa final, mas foi o Boca quem criou as melhores chances. Até que, aos 44 minutos, ela vem. Rodando no ar e mais linda que a lua. Eu a domino no peito e driblo o primeiro adversário assim que ela cai no chão. Corto o outro zagueiro para a esquerda e, já dentro da grande área, bato com força. Ela só pára nas redes, no fundo do gol boquense. Saio correndo, louco, gritando, em direção à torcida. Meus companheiros de time vêm me abraçar. A massa vibra como nunca, sem, contudo, conseguir acreditar na boa sorte do gol, devido ao seu enumerável passado de malogros. É, sem querer cair no clichê, bom demais pra ser verdade. Mas é. Nem consigo mais tocar na bola. Aliás, pouco posso vê-la, com a torrente de emoções que se manifestou liquidamente nos meus olhos. Só escuto o apito final do juiz e os gritos ensandecidos da massa. Acabou! 1 x 1! O Galo, pela primeira vez em sua centenária história, é campeão da Taça Libertadores! Eu, como capitão do time, ainda tenho a honra de levantar o troféu mais lindo do mundo. Um pouco antes de tocá-lo, não me contenho e choro copiosamente, como Pelé, em 1958. Mas resisto e ergo-o com muito orgulho, enquanto a torcida canta o hino. Nos vestiários, ainda tenho tempo de pedir ao repórter de rádio para ouvir o meu gol na voz do Willy Gonzer, que fez a locução mais sensacional de sua longa vida. Choro mais uma vez. Era o final de uma grande jornada continental. Saímos do “grupo da morte”, que tinha Independiente, Nacional de Medelin e Pachuca. Passamos pelo Nacional do Uruguai nas oitavas, resistimos ao River Plate, nas quartas, e ganhamos da mídia e do São Paulo nas semi-finais. O título premiou a melhor equipe da América. Existem aqueles, altruístas, que sonham com a paz mundial. Outros, mais românticos, sonham em ter casa, filhos e mulher. Os ambiciosos, sonham em ser famosos, ter um bom emprego, trabalhar na Globo. Ainda há os mais afortunados, que sonham com Deus. Não que eu não tenha nenhum desses sonhos, mas confesso que ser jogador do Atlético talvez seja o maior deles. Obviamente, um sonho tardio e infantil. Tenho 26 anos e nunca tive grande talento com futebol. Certamente, seria melhor sonhar com Deus. Mas não resisto. Sei que é uma coisa de menino. De criança. Moleque. Sonhar que posso fazer mais que Reinaldo, Cerezo, Dario, Marques e tantos outros, que nunca puderam colocar uma bola pra dentro das redes do Boca Juniors, no Mineirão, aos 44 do segundo tempo, na final da Libertadores. E um golaço. Ninguém se imagina fazendo gol feio. É só gol pra ser eleito o mais bonito da rodada. O mais importante do ano. Tem gente que diz que sonhar com futebol é fruto de grandes frustrações mundanas. Futebol é a coisa mais importante entre aquelas que nenhuma importância têm. Concordo. Penso, porém, que sonhar com este esporte lindo e gols maravilhosos, em conquistas importantes do clube do coração, é apenas coisa de criança. Nada absurdo. Seria melhor, é claro, sonhar com Deus. Mas quero morrer criança. E agora tenho que parar, porque ainda tenho uma missão no Japão. O jogo é contra o Real Madrid...
Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 13h27
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Torcedores “malditos”
Confrontos entre policiais e torcedores estão cada vez mais freqüêntes no Brasil A violência nos estádios tem sido o "torcedor" mais fiel a cada partida. Não só em Belo Horizonte, mas em todo o Brasil, as cenas protagonizadas por torcedores marginais de torcidas organizadas têm ganhado as páginas de jornal e o tempo dos telejornais. O fatídico ano de 1992 iniciou uma era de violência com mortes entre torcidas organizadas, quando o primeiro torcedor faleceu dentro de um estádio no Brasil. Rodrigo de Gasperi, de 13 anos, foi atingido por uma bomba de fabricação caseira, no jogo entre São Paulo e Corinthians, pela Taça São Paulo de Juniores. Em agosto de 1995, torcedores da Mancha Verde e da Independente se agridem no Pacaembu num jogo entre Palmeiras e São Paulo. Márcio Gasparim, de 16 anos, morre com uma paulada na cabeça. No dia 16 de dezembro, de 2000, no decorrer da partida entre Vasco e São Caetano, decisão da Copa João Havelange, uma briga entre torcedores vascaínos faz romper o alambrado do estádio São Januário, no Rio de Janeiro. Centenas de torcedores ficam feridos. Em 2004, no primeiro jogo da final do Campeonato Mineiro, entre Cruzeiro e Atlético, as diversas brigas no entorno do Mineirão resultaram na morte de um cruzeirense antes do início da partida. A última ocorrência de briga que resultou em um ferido em estado grave aconteceu no dia 26 de agosto, entre Atlético e Botafogo, em Belo Horizonte, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. Um adolescente de 16 anos foi agredido por torcedores do Atlético na região do Barreiro. O rapaz, que estava voltando para casa, foi puxado por um atleticano para o lado de fora de um ônibus. Ele sofreu traumatismo craniano grave e está em coma no pronto socorro João 23. O motivo da briga era a calça azul do Cruzeiro que o garoto estava usando. Essa "modalidade de crime" está, cada vez mais, ultrapassando barreiras. Já não bastam as brigas nos estádios e as campanhas contra a violência. Esses crimes, que pensávamos que só existiam em torno das arenas esportivas e em dias de jogos, estão em todos os lugares da cidade e, o pior, pode acontecer com qualquer um, mesmo que o indivíduo não esteja fazendo o papel de torcedor. As famílias, que já não vão mais aos estádios, estão condenadas a se trancafiarem em casa em dias de jogos. Daqui a pouco, vestir as camisas de clubes de futebol pode virar uma complicada aventura nas ruas das cidades. Será que é a hora de acabarem com as torcidas organizadas? São elas as responsáveis pela violência em dia de jogos? Segundo o Presidente do Atlético, Ziza Valadares, a principal torcida organizada do clube, a Galoucura, é composta, por sua maioria, de marginais. É por esse motivo que o Presidente cancelou os ingressos gratuitos, que não chegavam a 20 bilhetes, aos quais a torcida tinha direito. Em função disso, alguns integrantes da Galoucura começaram a ameaçar a integridade de Ziza. E esses marginais ainda querem ser chamados de torcedores? A que ponto chegamos? Ameaçar por causa de 20 ingressos? Clube nenhum tem que dar entradas gratuitas para torcedores, ainda mais quando esses torcedores são bandidos. A verdade é que, mesmo com um possível fim das torcidas organizadas, os seus integrantes vão sempre andar em bando para atacar seus "inimigos". Outro fato absurdo são os profissionais do jornal Lance!, do Rio de Janeiro, que estão sendo procurados por torcedores vascaínos em dias de jogos. Tudo isso devido à proibição do Presidente do Vasco, Eurico Miranda, de os jornalistas do Lance! entrarem em São Januário. Onde está a liberdade de imprensa? Onde está a educação neste país? Será que os bastidores do principal esporte do Brasil terá de passar por uma CPI? É duro... Por Ricardo Morgan: cinetrix@hotmail.com Escrito por Ricardo Morgan às 14h09
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